Teve um projeto que quase virou dor de cabeça antes de começar.
Um casal comprou um apartamento de praia na planta, em Praia Grande. Tudo novo, aquela empolgação, até chegar na parte do acabamento da varanda. O revestimento já vinha definido pela construtora, sem opção de troca: pastilha cerâmica vermelho berrante, azul vivo e cinza neutro.

E foi aí que os dois vieram até mim morrendo de medo. "Manu, como é que a gente decora o apartamento inteiro sem parecer que a varanda não tem nada a ver com o resto da casa pelamordedeus?"

Entendo perfeitamente esse medo. Quando você não escolheu um elemento e ele é fixo, ele vira o problema da casa. A tentação natural é tratar esse ambiente como um corpo estranho: decorar o resto bem longe daquela paleta, torcer pra ninguém notar o contraste, ou pior, gastar energia tentando esconder visualmente algo que fisicamente não muda.

Eu podia ter seguido esse caminho. Mas prefiro sempre a pergunta oposta: e se essa restrição não for o problema, e sim a pista?

Fui atrás dos tons exatos daquele revestimento não pra copiar, mas pra entender a família de cor que ele carregava. E decidi que, em vez de isolar a varanda, ela ia ser o ponto de partida de tudo.

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